Porque a tensão do Governo com o avanço de Zé Cocá como vice de ACM Neto? Entenda
O avanço das articulações para consolidar o nome do prefeito de Jequié, Zé Cocá (PP), como pré-candidato a vice-governador na chapa encabeçada pelo ex-prefeito de Salvador ACM Neto (União Brasil) já provoca reflexos no tabuleiro político baiano, especialmente no grupo petista.
Nos últimos dias, a possibilidade de composição com Zé Cocá ganhou força nos bastidores e passou a ser tratada como caminho natural dentro do grupo oposicionista, que já conta com o senador Angelo Coronel (PSD) e o ex-ministro João Roma (PL) como nomes para o Senado. O anúncio oficial deve acontecer na próxima semana, dia 31, em Feira de Santana.
A movimentação, no entanto, acendeu um sinal de alerta entre lideranças ligadas ao PT. Desde que as conversas avançaram, nomes de peso do grupo governista intensificaram críticas públicas ao prefeito de Jequié, em uma sequência de declarações que evidenciam incômodo e a preocupação com o movimento de Zé Cocá na chapa majoritária.
Na semana passada, o ministro da Casa Civil, Rui Costa, fez ataques a Zé Cocá. O senador Jacques Wagner também adotou o mesmo tom, ambos classificando o prefeito como ingrato. Nesta segunda-feira (23/03), foi a vez do senador Otto Alencar tentar minimizar a influência do prefeito, afirmando que sua liderança estaria restrita ao município de Jequié, sem alcance em outras regiões do estado.
Nos bastidores, lideranças governistas admitem que a presença de Zé Cocá na chapa de Neto é um grande reforço para a oposição. Além de ser um nome forte do interior, Zé Cocá teve um resultado eleitoral expressivo em 2024 com mais de 90% dos votos e, como presidente da UPB, mostrou habilidade e capacidade de articulação para se tornar uma liderança estadual. Tanto é que foi bastante cortejado pelo governador Jerônimo Rodrigues e seus aliados.
Dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) revela que as regiões do Médio Rio de Contas e Vale do Jiquiriçá, principais áreas de influência de Cocá, reúne cerca de 427 mil eleitores. Quando foi eleito deputado, o ex-presidente da UPB foi votado em 291 municípios. Em 2022, a diferença de Jerônimo e ACM Neto foi de apenas 480 mil votos.
A avaliação de aliados de ACM Neto é que a reação em série revela preocupação com o potencial de articulação de Cocá no interior da Bahia, especialmente junto aos prefeitos. Zé Cocá presidiu a União dos Municípios da Bahia (UPB) e teve atuação destacada à frente da entidade, liderando pautas de interesse das prefeituras.
Nos bastidores, interlocutores da oposição avaliam que a entrada de Cocá na chapa amplia a capilaridade política do grupo, sobretudo fora da Região Metropolitana de Salvador, e fortalece o diálogo direto com lideranças municipais. Na oposição, os ataques do governo são interpretados como um “flagrante incômodo” com a força política da chapa de Neto.


